De mudança
Os posts (e comentários) deste e de outros blogs meus estão sendo centralizados no dayvancowboy.org
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Alguém me faz o favor de encaminhar isto para o Observatório da Imprensa? Como ex-estudante de comunicação, eu gostaria de ver isso discutido por estudantes de comunicação naquela coluna “Diretório Acadêmico”
Desde que o Twitter entrou na minha vida, tenho postado bem menos aqui, em boa parte pela falta de tempo para me dedicar aos longos ensaios que gosto de escrever. É bem verdade que alguns “seriados” meus lá podem virar posts se burilados adequadamente, como o de Hunter S. Thompson na Lapa.
Mas eu fico no Twitter mais tempo aqui principalmente porque o blog o equivalente eletrônico do sujeito com a máquina de escrever portátil em frente a uma janela (como faz o Hunter S. Thompson no filme Fear and loathing) e narra com detalhes realistas e análise implícita, mas profunda, os acontecimentos ou idéias de um momento — provavelmente passado. É por isso que eu ando devendo um ensaio sobre Klaxons — o que é tipicamente blog-like.
Dito isto, segue a minha política informal de assinar e desassinar feeds Twitter.
Sejam os
seguidores de uma pessoa no Twitter.
Agora, para cada uma desses seguidores, denote o número de pessoas que essa pessoa segue. O índice de reputação é definido como
Uma leitura cuidadosa da explicação do conceito de entropia informacional na Wikipedia justifica este índice.
O problema dos rankings é que não diferenciam entre ser assinado por grandes assinantes e ser assinado como um dos poucos feeds importantes. Quem é que rodava aquele bot-fazedor-de-rankings mesmo?
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Sumário executivo: o Twitter, como a vida, é o que você faz dele.
Em primeiro lugar, eu gostaria de dizer, tongue firmly in cheek que comecei com o Twitter semanas antes dessa invasão brasileira que começou nos últimos quatro dias. A minha motivação inicial tem a ver com (a) o estranho senso literário que o formato blog sempre teve pra mim — o que me faz ficar horas trabalhando em ensaios gigantes sobre questões profundas e até desconstruções econométricas de comentários jornalísticos e (b) com a quantidade de idéias intrusivas que brotam na minha cabeça — idéias que levariam dias para virar posts e que eu acabo comunicando aos seres mais próximos, nem sempre interessados na minha próxima reflexão sobre merging bayesiano de ontologias. Assim sendo, quando comecei a trabalhar o dia inteiro em frente ao computador — diminuindo muito o tempo para o blog e para MSN, eu comecei a usar o Twitter como o meu brain dump. As atualizações aparecem ali à direita.
A proposta original do Twitter era diferente. A pergunta que domina a interface até agora é “What are you doing?”. A idéia era que você comunica a quem quiser (podem ser só seus amigos aprovados ou a internet inteira) o que você está fazendo. Uma coisa meio Manfred Macx, prevista há uns cinco anos no romance Accelerando do Charlie Stross. Claro, as pessoas tomaram e fizeram as coisas mais diversas — há quem poste citações do Steven Wright, pequenos feeds de notícias, etc. Existe até um clima de chat. E a administração do Twitter não desestimula nenhum uso dessa caixinha de palavras.
Explicado o que eu faço com o meu Twitter e o que era a proposta original, largamente desvirtuada por um batalhão de usuários americanos que invadiram o serviço há quase um ano, é mais fácil explicar algumas diferenças entre o Twitter e coisas similares que existem por aí.
Twitter vs blogs
Twitter vs IRC
Twitter vs RSS
Twitter vs MSN
Twitter vs Orkut
O que é legal no Twitter agora é que a invasão brasileira está apenas começando. O serviço é muito mais amorfo que o orkut,as pessoas estão chegando e definindo usos, papéis (muitos escrevem duas vezes e depois dizem “bah, isto não me serve”) e fazendo novos contatos e relações de um jeito que não é mais possível na geléia geral do orkut.
Em suma, como eu disse no início, o Twitter é o que você faz dele. Pra mim era um brain dump — agora que estou começando a ter seguidores o papel está mudando um pouco: falo menos em terminologia econométrica abstrusa. E é normal — na sua essência, o Twitter é uma caixinha de texto onde você vomita uma frase num mar de frases que as pessoas moldam de maneiras diferentes. Hoje eu estou seguindo o julgamento do julgamento do mensalão pelos posts das pessoas, amanhã sei lá. A vida é amorfa desse jeito.
No Twitter, todo mundo é Manfred Macx.
É difícil pra burro explicar pra quem está de fora, e eu vi esse movimento de viciados em Twitter tentando explicar para os de fora quando houve a explosão americana do Twitter. Mas eu recomendo a todos que abram uma conta, assinem/followem o meu feed e adicionem vários diferentes pra ver os tipos diferentes de coisas que as pessoas estão fazendo.
O vídeo é fantástico, não só pelo extremo a que a inusitada idéia de levar jogos a desenhos animados chegou (todos conhecem o desenho do Mário, uns poucos os do Pac-Man) mas porque resume em poucos segundos a estética específica dos desenhos animados dos anos 1980.
Até muito recentemente, eu era um econometrista amador que se deleitava em inferências sutis obtidas acidentalmente a partir de dados descolados rapidamente de uma tabela qualquer — passatempo de outsider no buraco em que minha carreira acadêmica descendente tinha me jogado.
Agora que eu estou trabalhando numa instituição de consultoria/pesquisa bastante grande, o jogo é outo — eu tenho objetivos concretos especificados de antemão e prazos razoavelmente fixos — e logo modelos que deve ser bem melhor especificados.
Por outro lado, tenho um estagiário para obter os dados e transformá-los para o formato que melhor me convier. Como todo estagiário, ele comete erros, às vezes graves; quer dizer, eu já fui estagiário e errava muito ao digitar tabelas impressas de livros antigos, coisa que o meu estagiário ainda não teve de fazer mas deverá fazer a partir de hoje.
Eu devo dizer, às vezes me invade uma dúvida existencial quando percebo que estou estimando 400 parâmetros a partir de 700 observações. Basta que um estagiário no IPEA ou na FIPE ou na FIRJAN ou na FIESP tenha errado para que o trabalho de dezenas de econometristas teóricos durante 30 anos de desenvolvimento metodológico não sirvam pra nada.
Eu já o vejo, um estagiário da FIESP com sotaque irritante e cabelinho de emo querendo “sair mais cedo do estágio, mano.” — com sotaque. E digitando tudo errado.
A econometria é um resumo da condição humana, meus caros.
A rua Nelson Mandela continua sendo um pedacinho de vida entre a São Clemente e a Voluntários. É difícil que isso mude. A rua enquanto faixa de cimento de duvidosa utilidade para o trânsito pode ser cancelada para a construção de mais de um desses conjuntos residenciais que têm brotado no início da Voluntários, mas eles não a porão num outro lugar porque uma faixa de cimento com placas nas duas pontas não é uma rua, e muito menos a rua Nelson Mandela. E no entanto, eles fecharam a fábrica.
Eu nem lembro que fábrica era. Lembro-me dos cartazes propagandeando o número de dias sem que ninguém perdesse um dedo ou uma perna — com os números em branco, no entanto. E antes dos números em branco havia números, e antes desse terreno baldio havia uma fábrica.
Os aforismos repetitivos dos seguidores de Kundera estão certos: fábricas são efêmeras, bacon é eterno. Eu deveria ter pressentido quando o inefável pipoqueiro a quem eu pedia um saco de bacon com bastante pipoca não tinha troco para a minha nota grande. Este é um pipoqueiro para uma pessoa que contava as moedas e contava com o ônibus do condomínio para comprar aquele bacon borrachudo e quentinho com o qual hoje, sem fome, esperava esquentar os meus dentes gelados.
Não tive a pipoca, porque não era mais o meu pipoqueiro e não vi a fábrica. E sentei-me então no cimento gelado que cerca aquelas grades por onde entra luz do dia ao metrô. Estas eu ainda tinha. E tinha um daqueles lápis com logotipo que fluem como leite na FGV.
Era pela rua Nelson Mandela que eu voltava para a Voluntários depois de subir a São Clemente inteira desde a altura da Cobal às 7 da manhã, vendo um tanto grogue os jornaleiros carregando os pacotes d’O Globo, depois dos meus amigos terem abandonado a noite às 3 da manhã e eu ter continuado até a última música e o último drinque. Foi na rua Nelson Mandela que, depois de algumas beberagens mágicas na Drinqueria — ali ao lado, na Voluntários — uma menina tentou rasgar-me a roupa num beco escuro não muito longe da fábrica. Foi na rua Nelson Mandela que outra menina, a primeira das grandes desilusões, tentou rasgar-me a alma e foi na rua Nelson Mandela, em frente à fábrica, que comprei revistas velhas do Tio Patinhas — edições raras, da década de 1970, três por dois reais — para refazer-me da briga dilacerante. Ali ao lado, na Voluntários, nós comíamos o prato feito com o refrigerante de dois litros trazido na cara-de-pau da farmácia Pague Menos.
E antes, não havia farmácia Pague Menos e nem mulheres tentando rasgar a minha roupa ou a minha alma. E não havia Drinqueria, então depois do filmeco alternativoso eu e o meu amigo Bernardo éramos obrigados a beber num boteco decadente que por alguma razão ainda existe em frente ao Espaço Unibanco onde tocava música sertaneja e eu descobria a universalidade da dor.
E antes, antes disso, depois de cruzar a ponte Rio-Niterói no 996 ouvindo “Head like a hole” do Nine Inch Nails e lendo algum comentarista de Foucault (por indicação da Cristina, uma professora da UFF) ou algum comentarista de Kant (por indicação do Fernando, um professor da UFF), eu descia na São Clemente e andava até o ponto do ônibus do meu condomínio (porque eu morava e ainda moro a uma hora e um milhão de milhas da rua Nelson Mandela) e ouvia “Supersonic” e ouvia os operários da fábrica jogando bola às seis da tarde, depois do serviço — com uniformes e tudo — e não sabia qual era o meu lugar no mundo — antes de ser um mestrando em economia perdido na vida, antes de ser um nerd na PUC perdido na vida. E os operários gritavam, e eu só sabia que estava voltando para o que conhecia — knowing just where you’re going, you’re gonna find your way out of the wild Wildwood.
E antes, anos antes disso, eu estava a caminho do mesmo Espaço Unibanco para um filminho independente americano — que por alguma razão chegou ao Festival do Rio e depois não chegou nem a ser distribuído em DVD no seu país de origem — qualquer que tinha chamado a minha atenção pela foto do cartaz e pelo título curioso que não recordo mais, e eu achava curioso que houvesse uma fábrica no meio de um bairro tão pouco fabril. Lembro de como o filme me fascinou pela sua sinceridade, pela sua simplicidade de surrealismo tosco. Eu passaria a freqüentar o cinema, e a barraquinha de livros de um real daquele velho curioso conhecido simplesmente como Baiano — que além de vender livros que não entendia consertava ventiladores e máquinas de costura e me deixava examinar em primeira mão os livros cujo valor (e logo posição na barraca ao lado) não tinha chutado ainda, e que apostava no jogo do bicho pelas placas dos carros que estacionavam em frente à sua barraca.
A rua Nelson Mandela continua sendo um pedaço de vida entre a São Clemente e a Voluntários por força do seu semáforo inexoravelmente desregulado que abre a rua por trinta segundos para fechá-la por outros cinco. A prefeitura autorizou quiosques verdes de lata neste pedaço de rua que seria inteiramente inútil ao trânsito não fossem os ônibus de condomínio e o estranho 75-D, que visita lugares em galáxias desconhecidas; o semáforo, as barraquinhas, os engravatados esperando os ônibus de condomínio, os extraterrestres esperando o 75-D e os operários jogando futebol formavam um microcosmo, uma ecologia toda própria. E surgiriam outros quando o velho livreiro que também consertava ventiladores sumiu, provavelmente transferido para o Valhala dos sebos de um real onde intelectuais durangos e ecléticos sobrevivem em uma economia de mineração de pilhas democráticas de papel — listas telefônicas misturadas com primeiras edições de Raymond Chandler, revistas Ele Ela, panfletos do Sindicado dos Corretores Imobiliários e muita, muita literatura tragicamente subvalorizada e descoberta somente através dos sebos de um real.
Foi-se o livreiro que consertava ventiladores, foi-se a fascinação com os filmes, foi-se a necessidade do boteco sujo quando surgiu a Drinqueria ao lado, foi-se a mulher que tentou rasgar-me a alma e nunca quis entrar na Drinqueria e a mulher que conheci na Drinqueria e tentou rasgar-me a calça na rua Nelson Mandela, e agora foi-se a fábrica onde os operários jogavam futebol no campinho anexo, e mesmo não estando tão perdido na vida quanto antes — e seria assustador se ainda estivesse — mas eu ainda preciso da rua Nelson Mandela.
Chegará o dia em que não precisarei esperar todos os dias da vida esse ônibus que me leva a esse longínquo condomínio na semimítica Barra da Tijuca, mas eu ainda estarei no ponto do ônibus esperando toda vez que precisar de um refill de confiança e nexo familiar. E chegará o dia onde estarei completamente só no mundo e não haja onde procurar essa semântica primitiva da compreensão cotidiana.
E talvez mesmo então eu precise da rua Nelson Mandela, embora pelo ritmo das coisas esta já terá perdido suas barracas verdes de lata onde brotam livreiros, salões impromptu de corte de cabelo e técnicos de PC e só haverá o silêncio do seu semáforo desregulado, e talvez mesmo então eu precise do cheiro de chuva, cimento, gasolina e mijo para reconectar o homem velho que eu estou construindo a cada dia ao economista sentado no cimento gelado em torno da grade do metrô com seu caderno improvisado e um daqueles lápis que fluem como leite na FGV, e ao mestrando perdido na vida voltando grogue ao amanhecer da Casa da Matriz, ao maníaco-depressivo passional que não deixou que arrancassem suas roupas por esperança de um amor duradouro, ao romântico aparentemente incurável no meio de uma briga infinita com a menininha triste e gordinha que julgava ser a alma gêmea, ao ex-futuro cineasta confuso bebendo num boteco sujo com um ainda futuro cineasta por falta de bares melhores na região, ao estudante de cinema sem a menor idéia de qual é o seu lugar no mundo observando os operários jogando futebol, ao adolescente tímido fascinado pelos filmes alternativosos do Espaço Unibanco.
E pode ser que eu não tenha mais o cimento úmido da rua Nelson Mandela, substituída por um conjunto residencial genérico, mas os aforismos repetitivos dos seguidores de Kundera estão certos, certos como os aforismos óbvios costumam estar — o cimento é efêmero, as ruas são eternas.

A máquina acima é uma impressora em 3D que pode fabricar objetos de plástico, cerâmica ou metal conforme comandada por um computador. Várias pessoas já construiram uma Darwin (a versão atual da RepRap). Em breve, a máquina poderá fabricar a si mesma — a previsão é 2008.
And then everything we know goes out the window.
A única coisa que eu sei é que a economia pós-escassez será o teste definitivo da controvérsia Malthus-Ricardo e dos princípios da demanda efetiva/lei de Say.
RepRap will make plastic, ceramic, or metal parts, and is itself made from plastic parts, so it will be able to make copies of itself. It is a three-axis robot that moves several material extruders. These extruders produce fine filaments of their working material with a paste-like consistency. If RepRap were making a plastic cone, it would use its plastic extruder to lay down a quickly-hardening 0.5mm filament of molten plastic, drawing a filled-in disc. It would then raise the plastic extrusion head and draw the next layer (a smaller filled disc) on top of the first, repeating the process until it completed the cone. To make an inverted cone it would also lay down a support material under the overhanging parts. The support would be removed when the cone was complete. Conductors can be intermixed with the plastic to form electronic circuits - in 3D even!
This process is called fused deposition modeling; machines that do this are called 3D printers, rapid prototypers, or fabbers. They are very useful. Unfortunately they are also very expensive - $20,000 US or more - and existing models don’t self-replicate. The RepRap build cost will be less than $400 US for the bought-in materials, all of which have been selected to be as widely available everywhere in the world as possible. Also, the RepRap software will work on all computer platforms for free. Complete open-source instructions and plans are published on this website for zero cost and available to everyone so, if you want to make one yourself, you can.
We hope to announce self-replication in 2008.