königsberg

11/01/07

Microfascismos

Arquivado como: Microfascismos, Photoshop, Sexo — Macx @ 9:37 pm

eu, honestamente, fico com a original. sou o único?

Um blogue aparentemente galego fez-me saber deste calendário composto de fotos de mulheres normais agressivamente fotochopadas até parecerem modelos. A coisa toda tem sobretons de protesto: escolhem uma menina muito bonita, mas explicitamente fora dos moldes da indústria da foto-de-lingerie, e dando-lhe um corpo de modelo, estragam-lhe toda a graça. O comentário implícito é óbvio demais para valer a pena discutir em extensão; postula-se uma certa imposição top-down destes padrões corporais, levando à neurose generalizada. No fundo, não deixo de discordar. Curta pesquisa impromptu com algumas mulheres das minhas relações mostram que a neurose existe, e algumas expressam até vontade de se submeter ao tratamento fotochopante. O meu problema com esta tese é que o declive escorregadio para o regulacionismo generalizado é curto. A mídia de massa cria expectativas infelizes e insalubres sobre o papel da mulher e seu corpo em crianças em idade sensível, ergo regulemos na TV os padrões da Boa Mulher Brasileira?

O que as pessoas parecem ter dificuldade em admitir aqui é que esse é um problema cultural amplo, que tem a ver com o vazio intelectual, moral, ético, filosófico, enfim, no qual flutuamos. Tem a ver não só com as neuroses femininas quanto a seus corpos, mas quanto às expectativas masculinas quanto ao mesmo. Tem a ver com uma cultura exterior, uma cultura da extroversão, que valoriza o esporte mais do que o debate, o performático mais do que o íntimo, o voyeurismo mais do que a descoberta. Tem a ver, em suma, não só com o excesso de estímulos calipígios da mídia, mas principalmente com o estômago vazio em que estas mensagens caem: mentes paralisadas pelo medo de não sermos normais, nos rendemos a todos estes pequenos microfascismos que nos dizem que mais vale competir que produzir, mais vale não ser estranhado mesmo que isto nos tire a habilidade de estranhar, e que acima de tudo mais vale corresponder às mais irreais expectativas que produzimos de nós mesmos, mesmo que isto apague o que é essencial a nós e nos torne arquétipos ambulantes, com barriguinhas saradas de plástico. E quanto a isso, culpar a TV não adianta; o que vale é mudar a vida que se vive. Agora.

62 Comentários »

  1. Você tá virando Foucaultiano???

    O mais engraçado é que pesquisas feitas com homens de todas as raças e culturas mostram que a preferência masculina sempre recai sobre mulheres com uma certa proporção entre cintura, quadril e busto. Não por coincidência, mulheres que apresentam estas proporções corporais tendem a ser mais férteis. Darwin, mais uma vez, ruleia.

    No mundo sublunar da memesfera, porém, a coisa muda de figura e a mídia nos transforma em rational addicts de modelos anoréxicas. Quer dizer, “nos” uma ova, eu nunca caí nessa e sempre preferi as mais cheinhas. Mas isso prova, ao menos, que a mente é bem mais fraca que a carne.

    Comentário por Hermenauta — 11/01/07 @ 11:37 pm

  2. Qualificação:

    “a preferência espontânea dos homens”.

    Na verdade, o negócio é muito esquisito, porque eu sempre achei que o culto à magreza feminina é um treco que é feito para afetar muito mais às próprias mulheres do que aos homens.

    Não é que os homens prefiram tanto assim as magrelas e as mulheres, premidas, tentem satisfazê-los. O que ocorre é que sobre as mulheres é despejada uma indústria da magreza. Uma vez dei uma boa olhada nessas revistas tipo “Boa Forma”, “Nova”, etc. e cheguei à conclusão de que se fosse mulher ia pirar.

    Comentário por Hermenauta — 11/01/07 @ 11:41 pm

  3. Eu sempre tive uma vertente fuckoldiana, tanto quanto uma defesa rígida do anarco-capitalismo permite ; )

    Comentário por dr. k — 11/01/07 @ 11:56 pm

  4. O que há de errado em gostar de ver a própria imagem aprimorada? Atire a primeira pedra aquela mulher que nunca se importou com a estética.

    Por mais que os homens gostem da mulher ao natural, elas sempre vão abarrotar os salões, as clínicas, as academias e demais centros de culto à beleza. Rapazes, aprendam uma coisa: a opinião de vcs pouco importa.

    Comentário por Izzy — 12/01/07 @ 9:10 am

  5. Mas, Izzy, veja que é justamente esse conceito de “melhor” que está sendo questionado.

    Eu não tenho nada contra os “centros de culto à beleza”, em si. Eu adoro uma mão de mulher com unhas pintadas, por exemplo. O problema é que esse valor se tornou central na nossa cultura, ao ponto da neurose, e mais ainda, que são virtualmente impossíveis.

    Ora, qualquer mulher pode entrar num salão de beleza e pintar as unhas de branquinho em cinco minutos. Ok, eu também faço a barba, corto o cabelo, etc. Mas pra ter a barriga da mulher da direita, ela precisa de tanto tempo na academia que não tem mais tempo de ler, de jogar dominó, fazer perguntas existenciais ou aprender a programar um computador. E no entanto, nossa cultura está berrando, desde as barbies até os comerciais de cerveja, que é *assim* que uma mulher deve ser. Não inteligente, não divertida, não filosófica, mas *gostosa*, para um molde de “gostosa” que praticamente elimina as outras possibilidades. E isso é opressivo.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 9:54 am

  6. Hermê: bom, o meu ponto todo é que o problema não são as revistas Boa Forma, mas o fato de que elas caem num saco vazio. É um pouco como aquele discurso de que a pornografia passa uma imagem distorcida do sexo aos adolescentes: um adolescente que viu o “Fidelio”, leu algumas introduções à filosofia, etc. não cai nessas armadilhas tão fácil. É só mais um estímulo, só mais um dado sobre o mundo que é recebido criticamente, porque critérios estão postos.

    O problema é que as mulheres em geral recebem a informação da Boa Forma — que barriguinhas saradas podem tornar você mais bonita, o que não deixa de ser verdade — de forma tremendamente acrítica (porque elas não têm critérios a aplicar), e mais ainda, no contexto de uma cultura (que elas receberam acriticamente por falta de critérios) que diz que a mulher só tem valor na medida que é bonita.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 10:02 am

  7. Certo.

    Entretanto, se você é uma menina de 13 anos que vai pela primeira vez a uma banca de jornal (e não tem pais que lhe tenham dado Fidelio), a maior probabilidade é que você acabe atraída pela capa de uma Boa Forma e não de uma Ciência Hoje.

    Avalie a mancha visual de uma banca de jornal. Eu apostaria que 70-90% da superfície é tomada por banalidades. Dependendo do lugar, 100%.

    Comentário por Hermenauta — 12/01/07 @ 11:20 am

  8. Prefiro a original. Se pudesse, no entanto, ficaria com as duas sem problema algum. Ambas têm seus encantos.

    Comentário por Alessandro Martins — 12/01/07 @ 11:24 am

  9. Bom, justamente. Como adultos, temos a responsabilidade de agir criticamente (ou seja, com o exercício do critério) sobre essa cultura. A banca de jornal não faz por nós o trabalho de pensar.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 11:34 am

  10. Tá, tá, tá… Mas a maioria das mulheres, dr. k, não está nem aí pra ler, jogar dominó ou programar computador (ah, perdão, elas leêm, mas, via de regra, revistas como aquelas mencionadas pelo Hermenauta).

    Comentário por Izzy — 12/01/07 @ 11:56 am

  11. E não estão por que, Izzy? Porque elas têm um instinto para a autoflagelação e para serem escravas sexuais do homem, ou porque esse é o papel que elas vieram a esperar para si mesmas, através do que é apresentado como normal?

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 12:07 pm

  12. “Mas a maioria das mulheres, dr. k, não está nem aí pra ler, jogar dominó ou programar computador(…)”. Esse é o problema, mas não tão problemático a ponto de nos impedir de olhá-las de soslaio.

    Comentário por Edson Junior Lain — 12/01/07 @ 12:22 pm

  13. Ou de elogiá-las de frente. Mas eu estou falando da alma, não do mapa. Citando sem dizer a quem, não me venha com truques isabelinos [;)]

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 12:35 pm

  14. Dois pontos:

    a) a banca de jornal faz, sim, o trabalho de pensar por nós quando ainda não começamos realmente a pensar. E aí estamos no mundo encantado da path dependency. Você está questionando alguém já formado, em um quadro estático; eu estou falando da dinâmica, da trajetória, que explica isso. O teu problema parece ser a conversão; eu discuto a gênese.

    b) Sabemos que há uma boa explicação darwinista para o fato das mulheres quererem atrair os homens. O problema é que no mundo sublunar dos memes há espaço para reprogramação. O impulso está dado, para onde ele se dirige é que é o busilis.

    Comentário por Hermenauta — 12/01/07 @ 1:13 pm

  15. E, para ser mais prático: há mulheres fora do padrão bem mais interessantes do que a da esquerda. Fico com a da direita então, mas por W.O. :)

    Comentário por Hermenauta — 12/01/07 @ 1:14 pm

  16. O problema é que todo discurso de gênese traz associado, implícito, um discurso de conversão. Ora, no mundo encantado da path dependency — e por um determinado recorte o mundo real é assim — a origem de todos os problemas está no Big Bang. Ergo, a solução para todos os nossos problemas é fazer algo a respeito da inflação do universo!

    É evidente que num encontro — a mulher de 13 anos com a banca de jornal — há um choque de duas “expansões”, a da ingenuidade da adolescente e a da superficialidade da Boa Forma. É evidente também que se postulamos que é do encontro dessas duas expansões que surge a neurose corporal feminina como fenômeno, este não ocorrerá sem que seus dois fatores estejam presentes.

    Ora bem, dizemos que interessaria eliminar a neurose corporal feminina. A tortura emocional a que as coitadas se submetem é lastimável. Nós podemos fazer isso de duas formas: regulando a banca, ou melhorando a estatura intelectual/emocional/humana a partir da qual a menina encara o estímulo. O bom moralismo — coisa difícil de manter, porque da boa forma (hehe) da coisa nasce a má — faz o primeiro. Mas, primeiro, estamos dispostos a nos submeter à regulação do discurso, em nome do que seja, como já se faz com o racismo, por exemplo? Segundo, quem fará isso no futuro, quando tivermos criado uma geração pusilânime, que nunca se enfrentou com modelos adversos de comportamento? A tradição? E eis que temos de volta o puritanismo.

    O que me interessa é como *saímos* desse problema. E para isso, é preciso encarar o outro fator dessa equação de neurose, até porque ele entra em um monte de pequenas equações de neurose. Isso também faz parte da gênese, da dinâmica. Só que mais do que isso, é uma investigação que nos leva a descobrir o que fazemos para nos libertarmos.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 4:16 pm

  17. “(… ;) que diz que a mulher só tem valor na medida que é bonita.”

    Extrapolando um pouco o seu sentido de bonita, a coisa é bem por aí mesmo. Não só o senso estético, mas uma infinidade de outros aspectos podem tornar uma mulher bonita. Ok, já passou por esta discussão, mas vamos recapitular. Não só o senso estético importa, e nem deve ser ignorado completamente. Resta então que os valores distorcidos (em respeito a quê, mesmo, são distorcidos?) da nossa sociedade são os maiores responsáveis pela forma de pensar normal das mulheres atualmente. Isso soa como valores de maioria. Há nichos em que a beleza física importa tão pouco. Os que pensam parecido estão condendados mesmo a estes pequenos nichos, bem como a imensa massa de brasileiros condenou-se ao futebol, ovos de chocolate, carnaval de bundas, presentes de natal e vestidos brancos pra mudar de ano eternos.

    Comentário por Colorimetrista — 12/01/07 @ 4:37 pm

  18. Não passou pela minha cabeça censurar a “Boa Forma”. :)

    Para “resolver o problema”, se você parte do princípio de que há mesmo um problema, é preciso produzir mais discurso competitivo mostrando que “uma outra barriga é possível” até que se consiga mudar o mind-share das meninas de 13 anos. Problema: como fazer isso “pelo mercado”? O mercado só costuma oferecer lock-ins em feedbacks positivos.

    O advogado do diabo diria, deixa rolar. A indústria da boa forma gera milhares de empregos em produtos e serviços. Ademais, é pouco provável que “estar fora de forma” seja algo, er, “natural”. É natural em um mundo onde o engenho humano criou a fartura, mas isso não existia, exceto para uma ínfima parte da humanidade que compunha as classes abastadas, até uns 50, vá lá, 80 anos atrás. Antes disso o natural era ser sarado, para pegar na enxada ou correr atrás (ou na frente) de variadas espécies animais.

    Comentário por Hermenauta — 12/01/07 @ 5:49 pm

  19. Eu não proponho mudar as mentes das meninas de 13 anos. Proponho mudar as nossas!

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 8:14 pm

  20. Eu penso que o número cromático dos estilos é definitivamente uma função linearizável no tempo, o que levaria ao estabelecimento de uma partição em componentes biconexos relativamente pouco mutável com relação aos estilos de comportamento e pensamento. E ainda é possível que o tamanho do menor componente possibilite a vida. Heuheuheueh.

    Comentário por Colorimetrista — 12/01/07 @ 9:17 pm

  21. Isso sem falar na função lambda-coloring de menor span.

    Comentário por Colorimetrista — 12/01/07 @ 9:19 pm

  22. Ai, pelo amor de deus! Olhem, o texto do Diego é legal e não há muito mais o que discutir. Eu concordo com ele, não estou a fim de fazer 2000 abdominais por dia como a Adriana Bombom; também não vou negar que tenha minhas inseguranças e meus projetos para essa área, mas o equilíbrio — quanto de estética e quanto do resto me ocupa o tempo — é uma questão muito pessoal, e não me parece ser passível de uma discussão desse tamanho.

    Quem se tortura com esse tipo de coisa não está preparado para a vida, homem ou mulher. Uma forma física razoável é attainable a todos. Quem chora por querer mais do que isso deveria dedicar-se a isso ou entender que dá as prioridades que pode (não há tempo!) ou quer (não há saco e chocolate é bom!) à vida, e pronto. Paciência.

    A ditadura estética, inclusive, não é uma prioridade das mulheres de cabeça vazia; é decorrente em muito da maneira como se percebe o que torna a vida completa, e há mulheres impressionantemente inteligentes que levam às últimas conseqüências também a preocupação com o corpo, porque entendem que tê-lo em sua melhor forma agrega experiências interessantes às suas vidas. Futilidade não tem nada a ver com a obsessão pelo estético, que existe em todos os graus de possibilidades intelectuais.

    Finalmente, não conheço uma mulher, feia ou bonita, que não tenha seu espaço no mundo. E não conheço uma mulher bonita que não tenha sido rejeitada um dia. A intimidade importa para quem importa, e quando importa.

    P.S.: A photoshoped é tão mais bonita.

    Comentário por Larissa — 12/01/07 @ 11:38 pm

  23. Eu gostaria de reiterar uma coisa, além de devolver o número de comentários a um número primo:

    Se pudesse escolher entre uma das duas como escrava sexual vitalícia, ficaria com a da esquerda.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 11:42 pm

  24. O problema, Larissa, não são as atitudes dos outros, são as nossas. É um problema de valores mais profundo, e essa questão da estética é só um corolário visível. Tente ler o texto direito, ora.

    Comentário por dr. k — 12/01/07 @ 11:49 pm

  25. Meu caro K,

    Acho que você está deixando de em levar em consideração que este aí é basicamente um two sided market.

    Na minha salva inicial, procurei mostrar, justamente, que deixados entregues às CNTP de seu DNA, os homens são mais chegados à Vênus de Willendorf do que às modelos anoréxicas da SP Fashion Week. O homem nasce preferindo as roliças, o marketing o corrompe.

    O problema é que o marketing corrompe o homem indiretamente, corrompendo, primeiro, as próprias mulheres. Pergunte-se quantas polegadas de diferença há entre as medidas das mulheres que aparecem nas capas das revistas femininas e as das revistas masculinas _ mesmo quando a mulher é a mesma…

    Comentário por Hermenauta — 13/01/07 @ 2:14 am

  26. A minha questão, Hermê, é que não é o “marketing” como entidade externa planejadora, somos *nós*. A obsessão com certa estética irreal é um “microfascismo”, como outras coisas citadas no texto são, porque é propagada capilarmente. A banca de jornal não é planejada para impor uma cultura; o mercado se encheu de revistas sobre Linux, subitamente, bem antes que haja qualquer corporate backing à plataforma: capilarmente, surgiu uma coisa do Linux como estilo cool, e a banca se ajustou.

    O que eu estou dizendo, Hermê, é que não há nenhum soldado que esteja “meramente cumprindo ordens”. Nesse sentido, eu estou sim sendo um pouco foucaultiano em afirmar que essas relações de “poder” — de tentar impor padrões de comportamento, padrões de pensamento, etc — estão acontecendo constantemente. Como eu disse à Larisssa numa discussão acalorada, *ela* está exercendo um projeto microfascista quando diz algo como “uma forma física razoável é attainable a todos”, um pouco como eu posso estar se eu faço alguém se sentir menos por não saber programar em Haskell.

    A minha salva inicial era um clamor por uma revisão dos nossos valores e de como os exercemos nessas interações micropolíticas cotidianas. The problem lies not within our stars, but within ourselves.

    Comentário por dr. k — 13/01/07 @ 11:43 am

  27. Mas eu não estou pondo a culpa no “sistema”. Acho que as coisas se realimentam. Para continuar no Foucaultianismo, o que quero é resgatar a genealogia do fitness.

    Embora eu discorde puntualmente de algumas de suas afirmações _ um dono de banca de jornal é um cara esperto e “gerencia suas prateleiras” de acordo com o gosto do público _ acho que o fenômeno está ligado a uma torrente de acontecimentos onde é difícil, mas não impossível, deslindar causas e efeitos.

    Acho que não pode haver muita dúvida no fato de que a “indústria da beleza” _ e aí temos não só o fitness como a cosmética _ começou a crescer em importância com a emancipação feminina. Por dois motivos, as mulheres começaram a ir à rua e ter mais tempo para si ao invés de ficarem enclausuradas nos lares cuidando das tarefas domésticas; e também porque começaram a ter renda própria. Percebendo o surgimento de uma nova oferta de atenção e recursos, empresários empreendedores correram atrás desses cobres e desses eyeballs.

    Agora, porque é que o “ideal de beleza” que se estabilizou foi o das magrelas e não o das roliças é um programa de pesquisa válido. Primeiro é preciso notar que ser roliça é “natural” - as mulheres têm que gastar dinheiro é para serem magras. Depois, pode ser que certas serendipities tenham entrado em ação a partir do mercado do vestuário - e da origem da profissão de modelo. Nunca li nada a respeito mas suspeito que do ponto de vista industrial seja muito mais fácil padronizar roupas para caberem em modelos- cabide do que em uma variedade variável de cinturas, quadris e bustos.

    Isso é importante porque, conhecendo as causas, podemos usar a dimensão valorativa para definir onde queremos chegar e, a partir daí, que mecanismos societais podem ser manipulados para se chegar ao efeito desejado.

    Eu estou entendendo o que você está dizendo, mas não creio que seu caminho seja útil se realmente você quiser produzir quaisquer efeitos de realidade. Sou mais por entender o processo e procurar atuar nele do que em ficar esperando a “conversão” das pessoas.

    “Public policies”, lembra? :)

    Comentário por Hermenauta — 13/01/07 @ 3:14 pm

  28. Em resposta às colocações da Larissa, e parcialmente à última do Hermê, eu gostaria de citar um blogueiro explicando Schmitt.

    His most important contribution, whether you agree or disagree, is the concept of “the political” as a necessary zone of existential conflict - the place of distinction between friends and enemies. Liberalism by inscribing conflict into mere negotiations of interest reveals itself a myopic, bankrupt ideology.

    Isto é mais político do que parece.

    Comentário por dr. k — 13/01/07 @ 9:00 pm

  29. Eu gostei de você:). Mas, apesar de, em princípio querer correr e te dar um abraço e dizer, sim, padrões de magreza existem porque as pessoas são fúteis, eu tenho que refrear um pouco meu impulso. :-) Claro que o mundo é fútil, mas sinceramente? acho que sempre foi. Um padrão estético de gostosura em épocas de escassez de comida é até agressivo. Da mesma maneira, contemporaneamente é sinal de status ser magro, especialmente no primeiro mundo, onde se tornou mais barato comer mal que bem. No Brasil comer comida ainda pode ser mais barato que ir ao Mcdonalds, mas no hemisfério norte certamente não é. E lá sim gordura se tornou associada a classes sociais mais baixas. Das refeições prontas as mais baratas são as que mais contém conservantes, sódio e gorduras trans. Para alguém que perguntou a respeito da moda, os estilistas são unânimes em dizer que suas roupas só vestem melhor mulheres macérrimas. Ou seja, para que uma curvilínea deseje a roupa ela a precisa ver num cabide. Não discordo não. Pode-se discutir a estética vigente para roupas, mas não essa afirmação. Abraços

    Comentário por juliana m — 14/01/07 @ 12:14 am

  30. Hermê, eu gosto muito de você e das suas idéias, mas esse comentário não faz o menor sentido! Ao menos não dentro da discussão sobre microfascismos. O que se propõe aqui não é chegar a um critério ‘darwinianamente’ ótimo (que satisfaça plenamente aos desejos mais profundos do homem) — o que seria um macrofascismo no melhor estilo “Triunfo da vontade” — mas apenas que revisemos de forma crítica a forma como agimos no sentido de repassar passivamente uma cultura que surge como fenômeno emergente.

    Em outras palavras, onde você propõe uma revisão técnica e lógica das métricas de valorização macrossociais, que parecem existir num espaço fora dos indivíduos — como acontece em explicações como a da Juliana M, que são boas mas incompletas — eu proponho uma revisão introspectiva dos atos de pressão micropolítica que nos levam a propagar passivamente uma cultura que rejeitamos em discurso.

    E isso não tem a ver só com magreza. O texto cita uma ou duas coisas que me pareceram importantes. E há mais.

    Comentário por dr. k — 14/01/07 @ 11:16 am

  31. Hã?

    Os gordos são amigos, os magros, inimigos? Vamos agora torturar os magros?

    Não entendi o que Schimtt, filonazista, pai dos neocons, tem a ver com a história, dude. Desenha aí, vai.

    Comentário por Hermenauta — 14/01/07 @ 2:31 pm

  32. Ops, só agora vi seu outro comentário.

    Engano seu, eu não estou propondo nada. Apenas apontei caminhos que me pareceriam os mais adequados a quem quisesse propor alguma coisa. Como public policy wonk, é este meu primeiro reflexo, você sabe.

    De resto, “revisar de forma crítica a forma como agimos no sentido de repassar passivamente uma cultura que surge como fenômeno emergente” me parece mais tarefa para o divã do analista do que para ações coletivas. Se era essa sua motivação desde o início, então de fato eu atirei no alvo errado. Mas acho então que o problema é bem mais simples do que você fez parecer à primeira vista.

    Comentário por Hermenauta — 14/01/07 @ 2:38 pm

  33. gostei do texto, K.

    Concordo com a abordagem à la Foucault que não se trata realmente de um exercício de poder por uma autoridade superior, como O mercado, A moda, etc., mas de pequenas sujeições diárias. A força social (midiática y compris) de qualquer discurso começa na sua aceitação íntima, frequentemente não verbalizada. É a partir daí que se constrói o discurso forte que então nos é devolvido com força conversora ou impositiva. Não acreditar, portanto, que se trate de uma questão de política é ingenuidade e culpar exclusivamente instituições, empresas, grupos profissionais, etc. é no mínimo ingênuo.

    Fixar identidades (como a mãe ao dar o nome ao filho, ou a revista de moda ao apresentar o modelo a ser copiado) parece parte inevitável de nossa dinâmica de exercício de autoridade. Aceitá-las sem reflexão é uma posição perigosa.

    Agora, será que, no fundo estas pequenas escolhas conservadoras não são conscientes, oriundas de uma “vontade de fascismo”?

    Comentário por Pedro França — 14/01/07 @ 2:46 pm

  34. A minha ação é micropolítica, Hermê. A cultura, como eu disse, é um fenômeno emergente. Você tem a ver com isso, eu tenho a ver com isso.

    “Ações coletivas” é estranho. Nos sentidos que mais importam, esta discussão é uma ação coletiva. Os nossos amigos estão lendo; alguns “estranhos” também estão chegando aqui, por alguma via tortuosa. A menos que você queira dizer “ações coletivas mediadas pelo Estado”, o que implica em um conceito de sociedade forjado pela inclusão em um esquema de pagamento de impostos e distribuição de bens públicos. Eu estou lidando com um conceito de “sociedade” bem mais operacional. Não é exatamente a “sociedade civil” do Viva Rio, mas é algo mais próximo; eu conheço pessoas, estou cercado delas, sou influenciado por elas e as influencio.

    Comentário por dr. k — 14/01/07 @ 2:49 pm

  35. Aliás, incidentalmente, eu reparei na Boa Forma na banca hoje, devido a esta discussão. A headline é “Quem malha transa”.

    As conclusões são deixadas como exercício ao leitor.

    Comentário por dr. k — 14/01/07 @ 2:54 pm

  36. Hum.

    Dr. K, você tem estudado, eu sei, a literatura econômica heterodoxa que critica o conceito de individualismo metodológico por trás da idéia do homo economicus.

    Isto tem a ver bastante com a debacle da idéia de livre arbítrio. No sentido de que as decisões humanas, embora não determinísticas por natureza, são tomadas a partir de um conjunto de motivações que estão além do controle do “eu consciente” que habita o teatro cartesiano.

    Se apenas o exame introspectivo da nossa consciência resolvesse a parada, não haveria drogados, bêbados, compulsivos, gordos, etc.

    Eis porque acho que esta abordagem, meu caro Pedro França, se bem entendi, não é sequer ingênua, é no máximo uma solução trivial. Da qual eu de fato só acredito na parte “trivial”.

    A ingenuidade dos que atribuem todos os males do mundo à conspiração do “capitalismo” ou do “sistema” tem seu correspondente nos que acham que o Indivíduo Autoconsciente tem o poder de se livrar das cadeias que o tolhem. Eu imagino que a chave para entendermos o funcionamento da sociedade é mais sutil e tem a ver com aproximações sucessivas e experimentações em um “fitness space” (uso aqui o termo técnico, não o fitness da indústria da forma física) por parte das instituições que, quando exitosas, criam uma resposta emocional nos indivíduos que reforça o relacionamento entre eles em um feedback positivo. Quando entendermos direito isso creio que poderemos, no espaço da ação coletiva, tentar atuar sobre essas coisas com mais propriedade, ainda que individualmente ainda estejamos presos às nossas próprias cadeias comportamentais.

    “Quem malha transa”. Mas e daí? A idéia sempre foi essa, ué. Em certo sentido toda essa indústria tem como motor a competição feminina pelos parceiros. Coisa que já existia desde que as moças escolhiam seu melhor vestido de chita para ir à igreja no domingo.

    Comentário por Hermenauta — 14/01/07 @ 3:36 pm

  37. Ah,

    Quanto à “micropolítica”…claro, sem dúvida que você, Dr. K., começando a refletir sobre isso e influenciando outras pessoas, pode dar origem a um movimento mais amplo.

    Mas você sabe que existem milhões de blogs, cada um fazendo exatamente a mesma coisa.

    Todos nós temos expedido nossos memes para a blogoseira desde que começamos a blogar. Alguns memes são mais virulentos que outros.

    Para pegar velocidade e dinâmica e começar a fazer diferença no mundo real, o meme precisa ganhar momento, alavancar-se, possivelmente ganhando aliados institucionais. Exatamente como o fez a “indústria do corpo”…

    Então acho que talvez estejamos falando sobre a mesma coisa afinal, mas sob perspectivas diferentes. O problema é que você está agindo como um agente que inicia a ação, e eu estou propondo uma reflexão sobre que condições podem permitir a uma ação que seja bem sucedida ou não.

    Comentário por Hermenauta — 14/01/07 @ 3:43 pm

  38. Estou enchendo o saco, mas me lembrei de um excelente exemplo sobre o que estou querendo dizer.

    A Denise Arcoverde é uma blogueira feminista que tem um blog intitulado “Síndrome de Estocolmo”. Entre outros assuntos, como amamentação, machismo etc., ela tem uma tag exclusiva para assuntos mais ou menos ligados àquilo que estamos discutindo aqui. É o conjunto de posts intitulado “bulimia“.

    O assunto é interessante, e o blog dela atrai uma grande quantidade de mulheres também preocupadas com o tema, especialmente em serem discriminadas por não quererem ou não poderem se adequar ao padrão anoréxico em voga.

    Há, imagino, vários blogs como o dela dentro e fora do Brasil. E nem por isso, é claro, a indústria do “fitness” deixa de crescer.

    Eu não estou, é claro, querendo cercear o direito de ninguém de falar sobre essas coisas. Acho importante e útil. Mas não sei se é eficaz. O problema é: só saberemos tentando, ou haverá maneiras de fazer isso de forma engenheirada, de forma a maximizar sua efetividade?

    Comentário por Hermenauta — 14/01/07 @ 3:58 pm

  39. A discussão está se esgotando. Mas, francamente? Eu não dou a mínima pra indústria do “fitness”. São as trincheiras que me importam aqui. E o mecanismo de difusão pelas trincheiras.

    Quer dizer, o que você chama de “heterodoxia” eu chamo de “macroeconomia”; veio a ser relevante porque uma certa administração econômica central veio a ser exigida por diversas circunstâncias políticas, econômicas e sociais — começando na emergência da moeda cunhada pelo Estado nacional e culminando na demanda por respostas ativistas no contexto das depressões de 1870 e 1930. E é assim que o mundo é; remover essa instância de administração central tout court é inútil como dar computadores para resolver a insustentabilidade do modelo extrativista dos índios. A “sociedade”-nação, regida pela adesão ao clubinho-Estado, tem sua dinâmica evolutiva que nós às vezes até comentamos, mas não conseguimos prever, controlar ou anular.

    O meu problema aqui é entender como funciona a “sociedade” aqui no subsolo. Sim, há milhares de blogueiros com suas igrejinhas, e dezenas de milhares de pessoas vivendo de uma forma profundamente determinada por esses micromecanismos de coação/interação/persuasão/etc. E isso é mais importante do que os problemas de planejamento central per se. A Izzy se importa menos com a taxa de juros do que com se o namorado vai deixá-la se ela engordar muito. Ela se importa, sim, com o emprego dela, mas o emprego dela também não depende dela engordar ou não — ah, os microfascismos do RH — por mais bem-qualificada que a moça seja? (E, sim, ela é economista formada pela melhor faculdade do país ;))

    Para voltar à sua analogia, eu estou falando da microeconomia aqui.

    E isso não tem nada a ver com esquerda ou direita, liberalismo ou revolução. Está no Foucault, supercrítico do capitalismo, e está no Carl Schmitt, ideólogo do neoconservadorismo americano.

    Comentário por dr. k — 14/01/07 @ 5:34 pm

  40. Hermenauta,

    A “vontade de fascismo” de que falei trata justamente do oposto do sujeito cartesiano, em cuja integridade não acredito em absoluto. É a idéia do “letting go”, de não formalizar os impulsos e de não pensar sobre as formas de liberar pulsão. Todos temos que lidar com paranóias, vícios, obsessões e perversões, e não vejo nisso uma questão patológica. Além disso, acho que a cultura da superfície é uma das grandes conquistas recentes do Ocidente. Mas creio que pensar sobre isso individual e coletivamente é necessário e, importante enfatizar, é uma questão política.

    Quanto à eficácia de pequenas ações,lembrei de uma conversa a que assisti entre dois alunos do Parque Lage. O rapaz estava inquieto com o fato de que, com o crescente poder da cultura do espetáculo, perdiam espaçø manifestações artísticas menos vistosas e mais abstratas, reflexivas, etc. Ao que a moça respondeu que durante séculos de barbárie um grande legado clássico foi mantido por conta do trabalho de formiga de uns poucos manés.

    Comentário por Pedro França — 14/01/07 @ 5:49 pm

  41. Bem…vamos aguardar os desdobramentos do seu método. :)

    Comentário por Hermenauta — 15/01/07 @ 9:16 am

  42. Odeio ser encaixotada dentro de padrões impostos pela mídia, pela indústria da moda, por nós mesmos que papagaiamos tudo que lemos, vimos e ouvimos.

    Comentário por Ana Pratalli — 15/01/07 @ 10:22 am

  43. Não é um “método”, Hermê, é um ato. Acho que você ainda não entendeu. Eu não pretendo e nem tenho como impor os meus valores a ninguém. Ninguém consegue fazer isso por completo, nem aqueles que têm megafones gigantes como a mídia tem.

    Comentário por dr. k — 15/01/07 @ 10:28 am

  44. Dr. K,

    O mero fato de você estar chamando a atenção para o ponto em seu blog em um post que já tem 44 comentários (com este) é a aplicação de um tipo de método, por menos consciente que ele seja…além disso, pelo menos na minha interpretação, o post tem um caráter programático. É claro que seu objetivo pode não ter sido esse, mas alguém já disse que depois que um texto cai no mundo ele passa a pertencer ao mundo, não ao seu dono. :)

    Comentário por Hermenauta — 15/01/07 @ 11:55 am

  45. É um texto de caráter programático. Você que não entendeu o programa ainda.

    Comentário por dr. k — 16/01/07 @ 11:19 am

  46. Ôpa. Isso deu o que falar, huh?

    Comentário por Edson Junior Lain — 17/01/07 @ 10:17 am

  47. Atualiza o blog aê!

    Comentário por Izzy — 18/01/07 @ 8:28 pm

  48. Eu também ia pedir pra atualizar, mas temi ser identificado como um microfascista. :)

    Comentário por Hermenauta — 19/01/07 @ 12:06 pm

  49. A responsabilidade é grande, depois deste marco na minha vida blogueira :-P

    Comentário por dr. k — 19/01/07 @ 12:09 pm

  50. Eu prometo que comento o próximo post. Ande, não tema!

    Comentário por Izzy — 19/01/07 @ 1:13 pm

  51. junto-me à bravata :)

    Comentário por Ed — 19/01/07 @ 3:09 pm

  52. Eu prometo ser responsável por pelo menos 50% dos comentários. :)

    Comentário por Hermenauta — 19/01/07 @ 3:31 pm

  53. Gostei do template novo, mas os comentários no início me cafundiram um pouco.

    Comentário por Hermenauta — 22/01/07 @ 10:59 am

  54. Bom, eu iria preferir a da direita, sendo franco. O maior problema é que ela nem sequer existe.

    Comentário por Bernardo S. Antunes — 22/01/07 @ 5:34 pm

  55. Quanta informação!
    Não conhecia o seu blog e pelos comentários do Ed (Semiótica) parece que é muito bacana. Vou seguir seu exemplo e imprimir seus textos para lê-los com calma voltando para casa. No serviço é dose…
    Sobre seu comentário, qualquer remédio (acredito eu) pode alterar o coportamento das pessoas… mas nesse caso, foi utilizado como uma desculpa esfarrapada. :/
    E sobre o uso de maquiagem e/ou Photoshop… está virando kit de necessidade básica da maioria das mulheres… =)
    Abraço.

    Comentário por Caroline — 26/01/07 @ 12:47 pm

  56. Quando chegou no “ergo” (ego?) eu parei de ler…

    P.S. 1: sabemos ambos o que é ergo em latim.

    Comentário por Cálcio — 28/01/07 @ 7:40 pm

  57. Uma palavra muito boa (’microfascismo’ ;) para descrever o que você descreveu. Inclusive, é interessante chamar a questão a certos autores que utilizam esse termo, como Guattari, por exemplo…

    Comentário por catatau — 19/07/07 @ 1:37 pm

  58. es asi no haco qui a normal seja mais bonita qui a ki no es original porque a no original tem os seu corpo prefecto a original no mas se fosse pa escojheer todos ou quase todos os hombres escolhrian a no original no so por causa do seu maginifico cuerpo mas si porque e mais bonita mas, devian de escojher original porque para alem de ser original no es feia parece feia porque esta ao lado de una beldade mas a outra no es feia es muitcho bonita ate!!!!!

    Comentário por Esthefanih — 23/07/07 @ 11:24 am

  59. eu no sei o qui es ergo en latin por favor omenten pra baijho dizendo qui es

    Comentário por esthefanih — 23/07/07 @ 11:27 am

  60. quanta mágua…
    kkkkkkk
    só nao é magro quem nao quer
    tem preguiça de malhar, fica frustrado culpando o sistema
    e atacando quem vê na beleza fisica uma pioridade
    eh exatamente por isso que cada um tem seu corpo, para fazer dele o q quizer!
    discussão sem objetivo….alguem aqui vai mudar o mundo???

    Comentário por aa — 20/10/07 @ 3:56 pm

  61. kgihijitjh8y9´´0phju9jutjbnugfknhuntmrmygugktuhktigyfhgimuhifyftyygyffgugygygygyggf
    huhgjuh
    hjh
    hjh
    hu
    hj
    ihoihhi

    Comentário por Anónimo — 28/10/07 @ 11:44 am

  62. [...] e por uma magra. Gostos apriorísticos não significam muita coisa. Mas como eu já apontei em um ensaio mais sério da época em que eu era inteligente, essas pequenas preferências acumuladas — e, ora, os magrófilos somos mais numerosos que os [...]

    Pingback por Um libelo contra as dietas « descrônicas überspazzen — 7/02/08 @ 1:51 pm

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